Sexta feira, quatro e meia da tarde. Pego o telefone. Disco o numero dele.
Do outro lado da linha um alo apressado. Seguido de um tudo bem mais apressado ainda.
A voz lhe falta no mesmo instante. Tentando não transparecer a tristeza ela responde, sim pai.
Vamos sair hoje de noite? Não posso tenho compromisso. Ele é sempre assim mesmo. Não o culpo, sempre tive o que quis. Após falarem de um assunto qualquer eles desligam. Sem o eu te amo de sempre. É como eu disse, pais não sabem plantar a semente. Mas fazem o seu melhor eu sei disso. Felizmente (ou infelizmente) uma das coisas que meu pai me ensinou foi a não transparecer.
Parei. Tentei escrever sobre minha arvore florescida debaixo da minha janela. Não deu.
Eu queria era um colo. Carinho de pai. Figura masculina mor. Desajeitado como ele, mas com todo o sentimento do mundo. Queria paparicos com sabor feijão. Lembrei dele reclamando das minhas bagunças. Lembrei de mim reclamando da bagunça alheia na minha casa. Somos muito iguais mesmo. É difícil pai. Não consigo te dizer quero colo.
É de consumir por dentro ter que lhe pedir isso. Admitir que apesar de toda a independência, ainda preciso de ti. Sei que desmarcaria qualquer compromisso inadiável pra que isso acontecesse. Mas, mais uma vez, somos iguais, não queremos atrapalhar os planos de ninguém.
Não tem nada doendo. Não to doente. Não tem nada sangrando. Mas eu queria. Aquele colinho que não sabe o que dizer. Que fica sem graça quando falo de meus amores. Aquele que canta vento negro pra mim.
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